Reação osso verde
Está chovendo! E isso, para mim, quer dizer que é momento de escrever. Acho que uma das coisas de que mais gosto no verão — além das férias — são justamente as chuvas. Elas não duram muito, mas trazem aquele aconchego bom, quase como uma pausa para o sol escaldante. Claro que, como já comentei em outro texto, depois que a chuva vai embora o calor volta com tudo… mas enfim, o ponto principal é que estou aqui. E esse é o meu primeiro texto do ano — que alegria! Hoje ftambém fechei contrato para aulas de escrita (chique, eu sei - e finalmente vou me profissionalizar nessa área que gosto e quero trabalhar mais no futuro), além disso meu livro finalmente vai sair e ainda estou organizando meu site-portfólio, e nele tem vocês (sim, esse bloguinho aqui). Eu não sou uma pessoa que curte desabafar no Twitter, sinto como se preciso de mais espaço. E ainda gosto de coisas antigas, de textos que respiram e que não acabam em 280 caracteres. Este cantinho é meio escondido, mas visível o suficiente para quem quiser ver.
E olha que curioso: não deu nem dez minutos e a chuva já acabou. Impressionante. Nem folga o sol tem. Mas tudo bem, a gente coloca o arco-íris para trabalhar também. Aí vem a pergunta: isso aqui pode virar um diário? Pode ou não? Qual é, afinal, o sentido deste blog? Talvez seja justamente não esconder, mostrar a escrita crua, do jeito que ela nasce, sem filtro e sem capa dura. Eu faço roteiros e também estou escrevendo um livro, então imagino alguém chegando aqui, lendo esses textos e pensando: tá… mas o que dá pra esperar dela? E com razão, porque esses textos meio que ferram com a minha credibilidade, kk. Eles são soltos, pulam de assunto, não seguem regra nenhuma, não são vitrine, são bastidores
Mas é isso: aqui eu não estou performando escrita “certinha”, estou pensando em voz alta, escrevendo como a cabeça funciona antes de virar roteiro, antes de virar livro. Sendo assim esse espaço não é prova de nada, é apenas meu processo, onde a escrita anda sem cinto de segurança (se é que isso é possível). Então, se parece bagunçado, é porque é mesmo e tá tudo bem, pois nem tudo precisa nascer organizado — algumas coisas só precisam nascer - e acho que este é o lema que quero levar para este ano, além daquela sábia fala - "Você não está perdendo tempo, mas sim ganhando tempo".
Uma coisa aleatória que me depoarei hoje foi notar a minha admiração que tenho por coisas aleatórias que posso encontrar dentreo de um livro. Por exemplo: você sabe o que é uma fratura em galho verde, ou reação osso verde, na medicina? Sempre me perguntam por que gosto de ler sobre essas coisas. É tipo fazer medicina legal, só que sem um corpo real na minha frente (ainda bem). Mesmo assim, a gente aprende. Conhecimento aleatório constrói repertório e dá aquela falsa sensação de intelectualidade — que, no fundo, não é tão falsa assim. Eu sei que tem gente com escrita impecável, histórias fechadinhas, premiáveis, como Fiódor Dostoiévski, que atravessam o tempo e permanecem. Mas, às vezes, não é isso que a gente procura. Às vezes, a gente só quer viver outros cenários, vestir outras vidas, experimentar profissões que nunca teremos fora da imaginação. Acho que é por isso que ser escritora me fascina tanto: o poder de ser quem quiser por algumas páginas, ou de dar ao mundo o que ele precisa — um poder místico, um herói improvável ou só alguém bem igual a gente.
Comentários
Postar um comentário