Entre a bagunça e as palavras
Eu estava tentando, juro que estava tentando dar um jeito nisso que chamamos de quarto. Para vocês terem noção eu até havia finalmente decidido por qual parte daria início. Mas no meio disso tudo - como uma boa portadora de tdah - me deu uma vontade incontrolável de escrever, afinal de contas lembrei o quão bom era a sensação de escrever. E assim parei - o que nem tinha começado de certa forma - e dei início a esse hobby que estava meio que no esquecimento. Era como se as palavras fossem mais urgentes do que a bagunça ao meu redor, porque se você visse meu quarto agora, entenderia: Tenho um quarto que está, literalmente, de cabeça para baixo.
A melhor forma de descrevê-lo - as meninas agora vão entender - é imaginar aquela cena de quando tentamos escolher a roupa ideal: peças espalhadas por todos os lados, como se o guarda-roupa tivesse explodido. Some a isso o cenário de alguém que decidiu aprender um novo instrumento, mas deixou as partituras abertas e o violão encostado no canto. Acrescente ainda o universo de quem ama ler, com livros jogados por todas as partes - pois estava a procura de uma frase icônica que tinha lido anos atrás - e o toque criativo de quem gosta de trabalhos manuais, com folhas soltas e rascunhos se espalhando pela escrivaninha... e, sim, até pela cama.
Dormir nessa cama nas últimas semanas? Impossível.
E como cheguei a esse ponto?
Talvez a explicação mais justificável seria dizer que não tive tempo, mas tempo a gente tem, o que não temos de vez em quando é aquela vontade absurda de fazer a tarefa no hoje. Mas longe de mim vocês pensarem que sou preguiçosa ou bagunceira - esse foi um caso em particular que me aconteceu - ok.. não acho que isso seja convincente, mas tudo bem kk.
Não tenho um rumo definido para estas palavras, mas quero retomar esse exercício que, por muito tempo, foi uma das minhas maiores descobertas da vida. Escrever sempre foi minha forma de me expressar, de criar laços ou até de afastar pessoas. Porque, no fim, as palavras têm esse poder - elas moldam mundos.
Pense nas cartas de suicídio que são as últimas tentativas de dizer algo ao mundo quando já não resta mais nada. Ou então, nos discursos de casamento, quando duas pessoas tentam, em poucas frases, eternizar o amor que sentem. As palavras estão lá nos nascimentos, nas despedidas, nas promessas e nas rupturas. Somos seres humanos perdidos, buscando rumos, e escrevemos como quem joga garrafas no mar, torcendo para que alguém encontre e compreenda o que um dia se passou na nossa mente.
Talvez seja por isso que a escrita solta me fascina tanto. Porque ela é como a vida: fragmentada, cheia de rasuras, tentando achar sentido enquanto já está acontecendo. Não existe roteiro pronto - é no improviso que descobrimos quem somos e quem ainda queremos ser. As palavras, assim como a existência, são ensaios de nós mesmo, ou melhor, está mais para uma apresentação cheia de improvisos e decisões a base do ritmo da música que se apresenta ao fundo.
E de repente percebo: já estamos em 2025, mais precisamente no dia primeiro do mês de outubro. O ano está se encaminhando para o fim, mas não se engane, eu não me assusto com essa informação. Ao contrário: me conforta. Foi um ano intenso, não apenas de mudanças internas, mas de descobertas externas. Descobertas sobre o mundo, sobre pessoas, sobre lugares. A pequena Antonia de alguns anos atrás jamais teria imaginado chegar exatamente até aqui - mas, no fundo, ela sabia, bem baixinho, que coisas incríveis estavam reservadas a ela. Eu tinha planos diferentes, mas os caminhos tortos foram os que mais me mostraram paisagens que jamais veria se tivesse seguido a rota certa.
Escrevo estas linhas ao som de um solo de guitarra. Sinceramente, nem sei muito bem o que estou fazendo nessa altura do campeonato, mas o que sei, é que algo está saindo. Meus dedos percorrem pelas teclas, formando palavras que talvez nem façam tanto sentido agora, mas que, de alguma forma, falam intrinsecamente um pouco sobre mim.
Ou talvez seja isso: a paixão. Aquele sentimento que surge de repente, que aquece o peito e dá a sensação de que o mundo está mais vivo. Pois talvez, seja justamente esse estado no qual me encontro no momento que me despertou a vontade de escrever sem rumo, assim como a paixão faz a gente seguir. Reconheço aquele calor no coração, aquele instante em que você olha nos olhos de alguém e imagina como seria incrivelmente mágico poder beijá-lo. O corpo pede isso, mas a mente, como uma boa advogada do diabo, insiste em lembrar que talvez não devesse acontecer.
E é nessa vertigem que eu vivo: entre notas de guitarra, frases inacabadas e desejos que ainda não aconteceram. Porque talvez seja exatamente isso que mantenha tudo vivo, bonito e pulsante - não a posse, mas o movimento da coisa.
E então eu escrevo.
Escrevo para organizar meu quarto interno, para espalhar menos caos dentro de mim. Escrevo porque, assim como a vida, as palavras não precisam de um destino claro para fazerem sentido. Escrevo porque, no fundo, sei que é nesse ato de colocar algo no papel - ou aqui no caso, no documento - que me descubro.
Sei que outubro vai passar, que o ano vai acabar, que a moça Antonia vai continuar crescendo. Mas, por enquanto, fico aqui - com os dedos no teclado, com a bagunça na cama, com a vida inteira à minha frente - escrevendo. Porque escrever, no fim das contas, é a forma mais bonita que encontrei de tentar me entender.
Pense nas cartas de suicídio que são as últimas tentativas de dizer algo ao mundo quando já não resta mais nada. Ou então, nos discursos de casamento, quando duas pessoas tentam, em poucas frases, eternizar o amor que sentem. As palavras estão lá nos nascimentos, nas despedidas, nas promessas e nas rupturas. Somos seres humanos perdidos, buscando rumos, e escrevemos como quem joga garrafas no mar, torcendo para que alguém encontre e compreenda o que um dia se passou na nossa mente.
Talvez seja por isso que a escrita solta me fascina tanto. Porque ela é como a vida: fragmentada, cheia de rasuras, tentando achar sentido enquanto já está acontecendo. Não existe roteiro pronto - é no improviso que descobrimos quem somos e quem ainda queremos ser. As palavras, assim como a existência, são ensaios de nós mesmo, ou melhor, está mais para uma apresentação cheia de improvisos e decisões a base do ritmo da música que se apresenta ao fundo.
E de repente percebo: já estamos em 2025, mais precisamente no dia primeiro do mês de outubro. O ano está se encaminhando para o fim, mas não se engane, eu não me assusto com essa informação. Ao contrário: me conforta. Foi um ano intenso, não apenas de mudanças internas, mas de descobertas externas. Descobertas sobre o mundo, sobre pessoas, sobre lugares. A pequena Antonia de alguns anos atrás jamais teria imaginado chegar exatamente até aqui - mas, no fundo, ela sabia, bem baixinho, que coisas incríveis estavam reservadas a ela. Eu tinha planos diferentes, mas os caminhos tortos foram os que mais me mostraram paisagens que jamais veria se tivesse seguido a rota certa.
Escrevo estas linhas ao som de um solo de guitarra. Sinceramente, nem sei muito bem o que estou fazendo nessa altura do campeonato, mas o que sei, é que algo está saindo. Meus dedos percorrem pelas teclas, formando palavras que talvez nem façam tanto sentido agora, mas que, de alguma forma, falam intrinsecamente um pouco sobre mim.
Ou talvez seja isso: a paixão. Aquele sentimento que surge de repente, que aquece o peito e dá a sensação de que o mundo está mais vivo. Pois talvez, seja justamente esse estado no qual me encontro no momento que me despertou a vontade de escrever sem rumo, assim como a paixão faz a gente seguir. Reconheço aquele calor no coração, aquele instante em que você olha nos olhos de alguém e imagina como seria incrivelmente mágico poder beijá-lo. O corpo pede isso, mas a mente, como uma boa advogada do diabo, insiste em lembrar que talvez não devesse acontecer.
E é nessa vertigem que eu vivo: entre notas de guitarra, frases inacabadas e desejos que ainda não aconteceram. Porque talvez seja exatamente isso que mantenha tudo vivo, bonito e pulsante - não a posse, mas o movimento da coisa.
E então eu escrevo.
Escrevo para organizar meu quarto interno, para espalhar menos caos dentro de mim. Escrevo porque, assim como a vida, as palavras não precisam de um destino claro para fazerem sentido. Escrevo porque, no fundo, sei que é nesse ato de colocar algo no papel - ou aqui no caso, no documento - que me descubro.
Sei que outubro vai passar, que o ano vai acabar, que a moça Antonia vai continuar crescendo. Mas, por enquanto, fico aqui - com os dedos no teclado, com a bagunça na cama, com a vida inteira à minha frente - escrevendo. Porque escrever, no fim das contas, é a forma mais bonita que encontrei de tentar me entender.
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